DPS: o dispositivo que salva seus equipamentos dos raios e que 90% dos condomínios não tem instalado corretamente
- GC Perícia e Engenharia

- 7 de abr.
- 5 min de leitura
Todo sindico já ouviu a reclamação: após uma tempestade, moradores relatam televisores queimados, portões automáticos inoperantes, câmeras de segurança danificadas e interfones mudos. O prejuízo e dividido entre condomínios e moradores, gera assembleias acaloradas e, quase sempre, poderia ter sido evitado com um componente que custa menos de R$ 200,00: o DPS.
O Dispositivo de Proteção contra Surtos é obrigatório pela NBR 5410:2004 em todas as edificações alimentadas por rede aérea em regiões com mais de 25 dias de trovoadas por ano. Em Goiás, essa média é facilmente ultrapassada. Mesmo assim, a grande maioria dos condomínios e empresas ou não tem DPS instalado, ou tem DPS queimado que nunca foi substituído, ou tem DPS instalado sem aterramento funcional, o que equivale a não ter proteção nenhuma.
O que é o DPS e como ele funciona
O DPS é um dispositivo projetado para detectar sobretensões transitórias na rede elétrica e desviar a corrente de surto para o sistema de aterramento. O surto pode ser gerado por descarga atmosférica direta ou indireta, por manobras da concessionária ou por partidas de grandes motores.
O componente central do DPS é o varistor, um resistor cuja resistência varia conforme a tensão aplicada. Em operação normal, o varistor apresenta resistência extremamente alta e não interfere no circuito. Quando um surto eleva a tensão acima do limiar, a resistência do varistor cai drasticamente, oferecendo um caminho de baixa impedância para a corrente de surto fluir para a terra. Esse processo acontece em nanossegundos, muito mais rápido que a atuação de qualquer disjuntor.
Após o surto, o varistor retorna ao seu estado de alta resistência. Porém, cada atuação causa degradação no componente. Com o tempo, o DPS perde a capacidade de atuar corretamente e precisa ser substituído.
Classes de DPS: onde cada um deve ser instalado
A NBR 5410 e a NBR 5419:2015 classificam os DPS em três classes, cada uma com função e local de instalação específicos:
• Classe I (ou Tipo 1): instalado no ponto de entrada de energia da edificação, no quadro geral de baixa tensão (QGBT). Projetado para suportar correntes de descarga parcial de raio (forma de onda 10/350 microssegundos). É obrigatório em edificações com SPDA instalado.
• Classe II (ou Tipo 2): instalado nos quadros de distribuição secundários. Protege contra surtos de origem indireta e contra surtos residuais que ultrapassam o DPS Classe I. Projetado para correntes de surto de forma de onda 8/20 microssegundos.
• Classe III (ou Tipo 3): instalado próximo aos equipamentos sensíveis, como servidores, CLPs, centrais de alarme e portões automáticos. Oferece proteção fina contra surtos de menor amplitude que ultrapassaram os estágios anteriores.
A proteção ideal é a coordenação entre as três classes, criando uma cascata de proteção: o DPS Classe I absorve a maior parcela da energia, o Classe II filtra o remanescente e o Classe III protege o equipamento final.
O erro mais comum: DPS sem aterramento adequado
O DPS funciona desviando a corrente de surto para a terra. Se o aterramento apresenta resistência elevada, o caminho oferecido pelo DPS não é eficaz: a corrente de surto não consegue fluir adequadamente para o solo e busca caminhos alternativos, que podem incluir os próprios equipamentos que o DPS deveria proteger.
Instalar DPS sem verificar e corrigir o aterramento é um dos erros mais frequentes que encontramos em condomínios e indústrias. É dinheiro jogado fora e, pior, cria uma falsa sensação de segurança.
Por isso, a inspeção do aterramento (tema do post anterior desta série) é o primeiro passo antes de qualquer intervenção nos dispositivos de proteção contra surtos.
Como saber se o DPS do seu quadro já queimou
A maioria dos DPS de qualidade possui uma janela de inspeção visual no corpo do dispositivo. Essa janela mostra uma indicação colorida:
• Verde: DPS operante, dentro da vida útil.
• Vermelho: DPS queimado ou degradado, necessita substituição imediata.
O problema é que muitos síndicos e gestores prediais nunca verificam essa janela. O DPS pode estar queimado há meses ou anos sem que ninguém perceba. Durante esse período, a edificação está completamente desprotegida contra surtos, mesmo tendo o dispositivo fisicamente instalado no quadro.
A recomendação é incluir a verificação visual dos DPS na rotina de manutenção predial, idealmente a cada 6 meses, e sempre após tempestades severas.
DPS sem SPDA é proteção parcial
O DPS protege contra surtos que chegam pela rede elétrica. Porém, uma descarga atmosférica direta na edificação gera efeitos que vão muito além do surto elétrico: correntes de descarga nos condutores de descida, campos eletromagnéticos intensos, diferenças de potencial entre partes metálicas e risco de centelhamento.
Sem o SPDA completo (captação + descida + aterramento + equipotencialização), o DPS é apenas uma camada de proteção entre várias que deveriam existir. A NBR 5419:2015 trata o DPS como parte do MPS (Medidas de Proteção contra Surtos), que é a Parte 4 da norma, e o SPDA externo como Parte 3. Ambos são complementares e necessários.
Caso real: condomínio em Goiânia
Mini-case - Condomínio residencial, Setor Bueno, Goiânia
Um condomínio de 18 andares relatou queima simultânea de 2 portões automáticos, 8 câmeras de CFTV, a central de interfonia e 3 controladores de elevador após uma única tempestade. O prejuízo total estimado: R$ 95 mil.
Na inspeção, foram identificados dois problemas críticos: os DPS Classe II do QGBT estavam com a janela de inspeção vermelha (queimados) há pelo menos 2 anos, e não havia DPS Classe I instalado, apesar de o prédio possuir SPDA.
Solução aplicada: instalação de DPS Classe I no QGBT, substituição dos DPS Classe II queimados, instalação de DPS Classe III nos quadros de alimentação dos elevadores e da central de CFTV, verificação e correção do aterramento (resistência reduzida de 32 ohms para 7,5 ohms). Investimento total: R$ 4.800, menos de 5% do prejuízo sofrido.
Checklist rápido para síndicos e gestores
• Verificar se existem DPS instalados no QGBT e nos quadros de distribuição
• Inspecionar a janela visual de cada DPS (verde = OK, vermelho = trocar)
• Confirmar se o aterramento foi medido nos últimos 3 anos
• Verificar se existem DPS nas linhas de sinal (telefonia, CFTV, dados)
• Solicitar ao engenheiro responsável um relatório de coordenação de DPS
• Guardar notas fiscais dos DPS para comprovar manutenção junto à seguradora
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Leia também: Post 1 da Série SPDA - Aterramento e SPDA: por que medir a resistência do solo é o primeiro passo para proteger seu edifício.


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