🚨 Usina solar de 75 kW desligando por "superaquecimento": entenda o que descobrimos
- GC Perícia e Engenharia

- 4 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Uma usina solar instalada em solo, com potência de 112 kWp e inversor de 75 kW, apresentava um comportamento incomum: desligamentos recorrentes por alerta de temperatura. O problema surgia sempre que a potência ativa alcançava cerca de 40 kW. Logo após, o sistema se religava automaticamente e o ciclo se repetia ao longo do dia, especialmente em momentos de alta irradiância.
O proprietário relatou que, mesmo após uma assistência técnica recente no inversor, o problema continuava. A situação estava gerando perda de geração, instabilidade no fornecimento e, além de tudo, a usina estava envolvida em um processo judicial, o que exigia respaldo técnico claro e confiável.
A GC Perícia e Engenharia foi contratada para investigar a fundo. O objetivo: identificar a real causa do comportamento irregular do sistema e propor soluções com embasamento técnico.
A inspeção técnica
Durante a visita, realizamos uma série de procedimentos fundamentais: leituras das tensões de entrada no inversor, coleta de dados via sistema de monitoramento online, exportação de relatórios para análise, inspeção visual e termográfica do equipamento, além de uma verificação completa na estrutura de suporte dos módulos fotovoltaicos.
O sistema analisado era composto por 206 módulos de 545 Wp, divididos em três mesas, com estrutura instalada diretamente sobre o solo. A relação DC/AC de 1,49, apesar de aceitável, exigia boa ventilação do inversor o que nos chamou a atenção desde o início.
O que os dados revelaram
As leituras mostraram uma anomalia em uma das strings, que operava com tensão inferior às demais. Esse desbalanceamento indicava uma corrente mais elevada naquele canal, aumentando o aquecimento interno no respectivo estágio do inversor. Ainda assim, esse fator isolado não justificava a proteção térmica estar atuando tão cedo.
A análise do sistema de monitoramento online revelou que o inversor disparava o alerta “113 – Overtemperature Derating” mesmo com temperaturas internas entre 34 ºC e 41 ºC. Em alguns momentos, a temperatura dos próprios módulos fotovoltaicos estava mais alta do que a registrada no dissipador do inversor. A termografia externa reforçou a leitura: não havia aquecimento anormal.
Com base nesses dados, ficou claro que o sistema estava interpretando uma condição de superaquecimento que não existia na prática. A proteção térmica era ativada precocemente, resultando em desligamentos injustificados e perda de eficiência do sistema.
Causa raiz identificada
A hipótese mais consistente foi a de falha no sensor de temperatura interno ou erro de montagem após o retorno da assistência técnica. Possivelmente, o sensor foi reposicionado incorretamente, sem contato térmico adequado, ou substituído por um componente com valor diferente do original. Também consideramos a possibilidade de erro na leitura do circuito eletrônico interno ou inconsistência no firmware.
Além disso, o desbalanceamento de tensão entre as strings agravava a situação, forçando o estágio correspondente a trabalhar com corrente elevada o que acelera o aquecimento daquele canal, embora não tenha sido a causa principal do desligamento.
Situação da estrutura de suporte
A inspeção também revelou que a estrutura da usina apresentava sérios riscos mecânicos e elétricos. As mesas estavam apoiadas sobre tubos plásticos, sem fixação adequada, contraventamento ou ancoragem no solo. Essa condição compromete a estabilidade da instalação, podendo causar deslocamentos por vento, deformações, rompimento de cabos ou até risco de arco elétrico em corrente contínua.
A proximidade dos cabos CC com bordas cortantes e pontos de abrasão reforçava a necessidade de uma adequação urgente.
Recomendações técnicas
Após análise completa, foram emitidas recomendações para correção imediata e preventiva:
Equalizar a tensão dos strings para evitar sobrecarga localizada.
Limpar e revisar o sistema de ventilação interna do inversor.
Encaminhar o equipamento novamente à assistência técnica, com relatório detalhado e evidências de leitura incorreta de temperatura.
Substituir toda a estrutura de suporte por solução metálica industrial, com ancoragem, contraventamento e reorganização dos cabos.
Este caso mostra, com clareza, como uma falha oculta e aparentemente simples como um sensor de temperatura mal posicionado pode comprometer toda a operação de uma usina fotovoltaica. Em situações como essa, apenas uma análise técnica profunda, com visão de engenharia e perícia, pode trazer à tona a causa raiz e proteger o cliente de perdas maiores financeiras, técnicas e jurídicas.
Na GC Perícia e Engenharia, atuamos para identificar riscos invisíveis e entregar soluções técnicas com respaldo. Nossa missão é clara: proteger o seu investimento, garantir segurança e oferecer a tranquilidade de um diagnóstico preciso.
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